26
Jul 13

Saudades  

 

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.  

 

Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,  quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,  eu sinto saudades...  

 

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,  de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...  

 

Sinto saudades da minha infância,  do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,  do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

 

 Sinto saudades do presente,  que não aproveitei de todo,  lembrando do passado  e apostando no futuro...  

 

Sinto saudades do futuro,  que se idealizado,  provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...  

 

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!  

 

De quem disse que viria  e nem apareceu;  de quem apareceu correndo,  sem me conhecer direito,  de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.  

 

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!  

 

Daqueles que não tiveram  como me dizer adeus;  de gente que passou na calçada contrária da minha vida  e que só enxerguei de vislumbre!  

 

Sinto saudades de coisas que tive  e de outras que não tive  mas quis muito ter!  

 

Sinto saudades de coisas  que nem sei se existiram.  

 

Sinto saudades de coisas sérias,  de coisas hilariantes,  de casos, de experiências...  

 

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia  e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!  

 

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!  

 

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,  

 

Sinto saudades das coisas que vivi  e das que deixei passar,  sem curtir na totalidade.  

 

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...  não sei onde...  para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...  

 

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades  

 

Em japonês, em russo,  em italiano, em inglês...  mas que minha saudade,  por eu ter nascido no Brasil,  só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.  

 

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,  espontaneamente quando  estamos desesperados...  para contar dinheiro... fazer amor...  declarar sentimentos fortes...  seja lá em que lugar do mundo estejamos.  

 

Eu acredito que um simples  "I miss you"  ou seja lá  como possamos traduzir saudade em outra língua,  nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.  

 

Talvez não exprima corretamente  a imensa falta  que sentimos de coisas  ou pessoas queridas.  

 

E é por isso que eu tenho mais saudades...  Porque encontrei uma palavra  para usar todas as vezes  em que sinto este aperto no peito,  meio nostálgico, meio gostoso,  mas que funciona melhor  do que um sinal vital  quando se quer falar de vida  e de sentimentos.  

 

Ela é a prova inequívoca  de que somos sensíveis!  De que amamos muito  o que tivemos  e lamentamos as coisas boas  que perdemos ao longo da nossa existência...  

 

Clarice Lispector

 

 

SAUDADES DAS MINHAS AMIGAS DE ESTUDOS E ALGUMAS DE INFÂNCIA.

publicado por Chicailheu às 22:29
borboletas:




publicado por Chicailheu às 22:27
borboletas:

18
Jul 13

A tinta que te corre nas veias…

 

As qualidades são escritas a lápis e os defeitos a caneta.

 

Pouco importa o que se escreve, importa com o que se escreve.

 

Quando a mente prefere ser corrector a borracha, não há mão que dite o contrário, não há pensamento que suplante essa vontade, não há quem contrarie a ordem das coisas.

 

O que não se sabe é que quem escreve, não tem sempre fonte de inspiração, nem todos os dias são belos nem tão pouco positivos.

 

Quem escreve, tem apenas a saber que um livro não se lê a carvão e a tinta barata.

 

A verdadeira essência da leitura, consiste em saber que o que se encontra a lápis é tão mais belo, perfeito e feliz que as frases escritas a caneta, apagando-as dessa forma de todos os prefácios, desenvolvimentos e conclusões de quem procura o caminho para a verdadeira e pura felicidade.

publicado por Chicailheu às 20:45
borboletas:

"A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento.

 

Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver.

 

Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.

 

"Fonte - Livro do Desassossego - FERNANDO PESSOA

publicado por Chicailheu às 20:40
borboletas:

publicado por Chicailheu às 20:39
borboletas:

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