06
Jun 12

Não há Nada que Resista ao Tempo

 

Não há nada que resista ao tempo.

 

Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo.

 

Ainda há dias pensava nisto a propósito de não sei que afecto.

 

Nisto de duas pessoas julgarem que se amam tresloucadamente, de não terem mutuamente no corpo e no pensamento senão a imagem do outro, e daí a meia dúzia de anos não se lembrarem sequer de que tal amor existiu, cruzarem-se numa rua sem qualquer estremecimento, como dois desconhecidos.

 

Essa certeza, hoje então, radicou-se ainda mais em mim.

 

Fui ver a casa onde passei um dos anos cruciais da minha vida de menino.

 

E nem as portas, nem as janelas, nem o panorama em frente me disseram nada.

 

Tinha cá dentro, é certo, uma nebulosa sentimental de tudo aquilo. Mas o concreto, o real, o número de degraus da escada, a cara da senhoria, a significação terrena de tudo aquilo, desaparecera.

 

Miguel Torga, in "Diário (1940)"

 

publicado por Chicailheu às 19:49
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