08
Ago 11

Instantes


Desconhecido

 

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida:
só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.

 

 

 

 

 

 

publicado por Chicailheu às 23:34
borboletas:




publicado por Chicailheu às 23:32
borboletas:

05
Ago 11





publicado por Chicailheu às 01:38


Era uma vez um rapaz chamado David que namorava com a linda Inês, e todos, mas mesmo todos, os dias ele ia visitar a sua amada, David morava numa pequena casa situada próximo de Vale da Felicidade e Inês próximo do lugar onde hoje se situa a localidade de Abela, sucede que num certo ponto do caminho, Santos mais concretamente, ele se habituou a admirar uma linda roseira, tinha uns botões de rosa como nunca vira mais nenhuns, eram de um vermelho escuro como não existiam outros e pareciam veludo autêntico.


Muitas vezes, David, deixava-se ficar, ali parado, a observar aquela linda roseira, parecia-lhe que o tempo parava, deixava-se ficar como que embevecido e tinha de correr para não sobressaltar a sua amada, ainda nunca lhe falara na roseira e no encanto que ela lhe provocava, não era por nada de especial, simplesmente não tinha calhado.


Mas um dia, há sempre um dia, David deixou-se ficar tanto tempo a admirar a roseira que quando chegou junto a Inês já era muito tarde, e entendeu que lhe devia uma explicação, foi assim que a sua jovem amada ficou a saber da bela roseira, e disse logo:
-Meu amor, se essa roseira ganha tanta beleza nas tuas palavras, então é porque ela tem mesmo algo de especial, deixa-me beber de toda essa beleza de que me falas.


David ficou radiante por confirmar que a namorada admirava tanto o seu bom gosto que acreditava na beleza daquela roseira, mesmo antes de a ver, só pelas suas palavras.


Combinaram então que no próximo fim-de-semana, David a levaria a ver a roseira.


Assim foi, Inês ficou estupefacta, de boca aberta, e só conseguiu pronunciar:
- Lindo
Eram botões e mais botões, eram rosas já abertas, todas, todas do tal vermelho que parecia veludo.


Depois de alguns minutos, bastantes, talvez até horas, a apreciarem a roseira, Inês perguntou:
-Meu amor, será que posso colher um destes botões e levá-lo para casa?


David ficou pensativo, alguns momentos, não queria contrariar a sua amada, por isso procurou um modo doce de lhe dizer o que pensava, e respondeu:
- Ouve meu amor, a roseira não é minha, provavelmente nem é de ninguém, por isso penso que sim, mas gostaria que pensasses que se todos, que por aqui passam, colhessem um botão de rosa, a roseira perderia muito da sua beleza.


Inês concordou com o namorado e desistiu da sua ideia de apanhar um único botão que fosse.


Regressaram a casa era já noite, iam encantados com tanta beleza, entraram em casa dos pais de Inês sem conseguir esconder a felicidade que lhes ia na alma.


David despediu-se da namorada, e dos pais, e tomou o caminho de regresso a casa, ia muito concentrado nos seus pensamentos quando percebeu que estava a ser seguido, olhou para trás e viu dois homens com muito mau aspecto, acelerou o passo e verificou que eles faziam o mesmo, estava sozinho num terreno ermo, ninguém lhe poderia valer.


Deitou a correr e os seus perseguidores imitaram-no, percebeu que não lhes conseguiria fugir, pelo contrário, eles estavam cada vez mais próximos, sentiu-se perdido, quem seriam aqueles dois, provavelmente dois malteses que o queriam assaltar, sentiu medo, já ouvira histórias aterradoras acerca deste tipo de gente.


David chegou junto ao local onde estava a roseira que tanto apreciava e pareceu-lhe ver algo estranho, a estrada fazia um pequeno desvio e tinha roseiras de um lado e do outro, parecia-lhe que não conhecia aquele caminho, avançou e não queria acreditar no que via, o caminho por onde passava não era a estrada, era sim um espaço aberto entre os ramos da roseira que se iam fechando à medida que ele avançava.


Ele caminhava por entre os ramos da roseira! Pensou que sonhava e assim que se viu completamente coberto pela roseira, ouviu os seus perseguidores:
- Mas onde se meteu o gajo, parece que desapareceu.


Continuou a ouvi-los praguejar durante mais alguns minutos, até que percebeu que desistiam e se afastavam.
Foi então que ouviu com o que uma voz estranha:
“ Tu, quando aqui estiveste com a tua namorada, hoje pela tarde, salvaste uma das minhas filhas, agora chegou a minha vez de ser eu a salvar-te. Já podes ir em paz, aqueles dois já se foram e podes ir descansado que haverá sempre uma flor a olhar por ti até chegares a casa.”
David viu os ramos da roseira a abrirem-se para o deixar sair e voltarem a fechar-se à sua passagem.


Debruçou-se sobre um dos botões de rosa, beijou-o e este, apesar de já ser noite, abriu-se por completo, como que a retribuir o gesto.

 

Moral:
“Amor gera amor”

Francis Raposo Ferreira

 

 

 

 


 

 

publicado por Chicailheu às 01:34
borboletas:

publicado por Chicailheu às 01:34

02
Ago 11





publicado por Chicailheu às 02:40
borboletas:

Vai…

Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
 Para realizar aquilo que já te disseram que não podia ser feito.
 Para alcançar a estrela inalcançável.
 
Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.
 Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
 nem de quanta esperança necessitarás;
 nem se poderás ser maior do que o teu medo.
 Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.
 
Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
 Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
 Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.
 Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti.
 Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.
 Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.
 
Para amar com pureza e castidade.
 Para devolver à palavra “amigo” o seu sabor a vento e rocha.
 Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e – ou – muitos mais nascidos apenas do teu coração.
 Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
 Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
 Para vencer o medo.
 
Não medirás as tuas forças.
 O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se magoem nas pedras.
 Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.
 Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.
 Olharás para tudo com espanto.
 Saberás que, sendo tu nada, és capaz de uma flor no esterco e de um archote no escuro.
 
Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
 Para viver daquilo que mata.
 Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.
 Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.
 Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
 Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que dói, e que só assim é homem.
 
Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
 Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
 Para mostrar que se pode viver de luar quando se vai por um caminho que é principalmente de cor e espuma.
 Levantarás do chão cada pedra das ruínas em que transformaram tudo isto.
 Uma força que não é tua nos teus braços.
 Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.
 
Para ir mais além.
 Para passar cantando perto daqueles que viveram poucos anos e já envelheceram.
 Para puxar por um braço, com carinho, esses que passam a tarde sentados em frente de uma cerveja.
 Dirás até ao último momento: “ainda não é suficiente”.
 Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
 Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
 Disposto a ter contigo dores que são semente de alegrias talvez longe.
 
Para tocar o intocável.
 Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
 Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.
 Para alcançar a estrela inalcançável.
 
Paulo Geraldo

 

 

 

 

 

 

publicado por Chicailheu às 02:37
borboletas:

Ultimamente, tenho vindo a perder um hábito que alimentei durante muito tempo.

 

Os costumes têm que ser cultivados, como as plantas, senão morrem.

 

 Todos os dias transcrevia factos da agenda do ano anterior para a actual.

 

 Desta forma, nunca me esquecia dos anos dos amigos, nem do Santo de cada dia.

 

Era ainda uma boa oportunidade para recordar acontecimentos que tinham sido importantes, e que lá registava.

 

 Por estas e outras, ando cada vez mais desasada.

 

Tenho de voltar a esse velho e útil hábito!

 

publicado por Chicailheu às 02:33
borboletas:

01
Ago 11

Eu fico pensando nestas pessoas que se sentem traídas.

 

Essas pessoas que foram enganadas, ou largadas, ou trocadas.

 

Porque este sentimento pode ser o começo de um buraco muito fundo de auto-piedade. Cuidado você, que está deste jeito que eu estou falando, porque o sofrimento pode ser muito grande!


Nada como estar por baixo, para querer ficar por cima, sair-se melhor, mostrar que pode mais. O sentimento de ser traído, no fundo, no caroço dele, é uma grande sensação de não ter valor.

 

 De ter sido preterido.

 

 Um golpe no orgulho.

 

E esta sensação de menos valia não se acaba por se atacar os outros, como as pessoas costumam fazer. É preciso entender esta sensação, agir sobre ela.


As pessoas que são traídas são pessoas que esperaram demais. Apostaram demais. Se enganaram.

 

 Quer coisa mais comum, neste mundo em que vocês estão, do que enganar-se com as pessoas? Ora: se quase ninguém tem coragem de ser si mesmo! Se está todo mundo tentando agradar, parecer melhor que é! Então, as pessoas são traídas por seus erros de avaliação. Por suas expectativas. Não pelo outro.


 Cada homem ou mulher tem sua natureza e age segundo ela. É claro que esta natureza é mutável, mas ela é o que é. Se uma mulher é asseada por natureza, ninguém estranha que a sua casa esteja sempre brilhando e perfumada. Se um aluno é quieto por natureza, ninguém na classe estranha ele estar calado. Se uma pessoa é indiscreta, por que você estranha que ela revele o seu segredo? Porque você não viu como ela, de fato, era…


 Mas a sensibilidade para perceber a verdadeira natureza das pessoas é algo que vocês ainda têm que desenvolver, porque vocês se prendem mais à superfície, aos modos, às palavras, que à verdadeira intenção.


 Vocês não são traídas, ou traídos por fulano ou sicrana. Vocês são traídos pelas suas ilusões, pelos seus devaneios. Se você confiou uma grande tarefa a alguém que era muito fraco para levá-la adiante, quem errou mais, você ou ele?


 Então, chegamos ao ponto de saber quem falhou mais: o outro, porque não tem condições de ser como você gostaria e só agiu como é o padrão dele, ou você, que estava numa ilusão?


 Agora: o fato do outro ser desleal faz com que você encare a realidade de que você não tinha, para ele, a importância que imaginava. Ora, pois, se quando ele pôde, ele foi justo fazer o que você não queria!


 Mas pense bem e veja se foi você ou ele o maior responsável.


 E onde eu queria chegar com tudo isso era na conclusão de que não adianta você ter importância pros outros, se não se sente importante em si mesmo, ou mesma.

 

Se você depende da atitude dele pra se posicionar diante de si e se acha pequenininha só pelo que o outro fez, eu pergunto:
 - Que importância tem você pra VOCÊ?
 (Use um tempo pra pensar nisso)
 
A verdade é que a vida tem de seguir seu curso, e quanto menos ficamos estacionados em confusões e rixas, melhor pra todos.


 Seja inteligente e aprenda com isso.


 Se você atrai para seu convívio pessoas com estas tendências, não será por alguma razão mais séria? Não será por suas atitudes? Não será por este desespero de ter que confiar em alguém, que faz com que você vá confiando em qualquer um? Não será por ter tão pouca confiança em si, que acaba investindo sua fé nos outros e quebrando a cara? Já sei: você não confia em si, porque se traiu. Você se enganou. você brincou com a sua verdade. Você pisou nos seus sentimentos pra ser bonitinha pros outros. Você desistiu de tudo que mais queria, não é? Você deixou de lado suas qualidades mais caras.


 Tem razão: eu também não confiaria em alguém assim…


 Mas nada acontece perto de nós ou conosco que não seja pra nos acordar, pra nos sacudir, pra nos fazer perceber a verdade. Não será uma chance que a vida está lhe dando para você confiar mais em você, sendo alguém mais confiável?
 
Pense no que Calunga aqui disse para você e não se engane mais, não se traia.
 
Boa Sorte – Vanessa da Mata e Ben Harper

 

 

 

 

 

publicado por Chicailheu às 15:02
borboletas:





publicado por Chicailheu às 15:02
borboletas:

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